Não bastassem os títulos de "Capital do Vale do Paraíba", "Capital do Avião", São José dos Campos é, indubitavelmente, uma pujança em termos esportivos; tantos são os talentos nascidos ou revelados na terra de Cassiano Ricardo, o expoente maior de sua literatura.
De Pedro Yves a Edvar Simões no ocaso dos anos cinqüentas, a Fabíola Molina, passando por José Maria Fidelis, Emerson Leão, Sérgio Valentim, Roque Junior, entre tantos outros... Entretanto, e em que pese a fama e à inegável categoria dos valores aqui citados, nenhum outro foi tão reverenciado quanto Zezinho Friggi.
Apelidado de "Mandrake" em alusão ao mágico das histórias em quadrinhos, não por acaso nosso homenageado é considerado ainda hoje, por conta de testemunho de torcedores da velha-guarda, o maior esportista que a cidade produziu. Costuma-se dizer que "quem bate esquece, quem apanha não". Paradoxalmente, há sempre alguém se ufanando de ter tomado um drible de Zezinho Friggi.
Em outras circunstancias, admitir ter tomado um drible seria o mesmo que admitir ter entrado na história pela porta dos fundos. No caso especifico não. Para grande parte dos que o tiveram por adversário, ter sido driblado por Zezinho Friggi dá-lhes status.
Quarenta anos separam Zezinho Friggi de Falcão. Melhor seria dizer: quarenta anos separam Falcão de Zezinho Friggi. A ausência de imagens dificulta uma comparação, porém, o que se ouve ainda é que Zezinho Frigi esteve para o futebol de salão de São José dos Campos - e região - o que está para o futsal do Brasil nos dias atuais.
A diferença entre um e outro, se é que esta possa existir, é que ao contrario do jogador paulistano - que teve a carreira centrada no futsal - Zezinho foi "fera" também no futebol de campo, esporte que praticava paralelamente e com igual mestria.
Campeão paulista de futebol de salão pela Associação Esportiva São José em 1958; vice campeão brasileiro de seleções pela Federação Paulista de Futebol de Salão em 1961 e 1963, campeão da Terceira Divisão de Futebol Profissional pelo São José Esporte Clube, o então "Formigão do Vale" em 1964, Zezinho Friggi foi figura de proa do futebol menor da região.
Mas, tudo isto seria conversa jogada fora, não fosse ele o homem que é. Quem é Zezinho Friggi, afinal? Um homem íntegro, generoso, bem humorado, amigo sincero - Zezinho fala com os olhos – companheiro leal. Às vezes ingênuo. Ingênuo não, magnânimo. Seu coração é proporcional ao tamanho desta metrópole.
Dono do maior acervo fotográfico esportivo da cidade – é apaixonado por fotografias – Zezinho serviu de inspiração do Museu de Esportes, regido pela Secretaria de Esportes e Lazer da Prefeitura Municipal. E ainda que a entidade continue a contar a história do município através de fotos, vídeos, depoimentos, a presença pura e simples de Zezinho Friggi constitui-se em seu troféu mais valioso.
Basta ver a legião de amigos que acorrem àquela localidade a fim de privar de sua companhia. Ir ao Museu de Esportes e não falar com Zezinho Friggi é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa. São José dos Campos está de parabéns, o homem, o pai, o amigo,o craque, enfim , o mito Zezinho Friggi está completando 70 anos. José Antonio Walter Friggi: se não existisse teria que ser inventado.
Valter Brazão
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Oriundo de São José dos Campos, mais precisamente de Vila Maria, onde nasceu e jamais saiu, ao completar 56 anos de idade, como jogador de futebol Eduardo Silva jamais poderia ser considerado craque, pois o máximo que conseguiu foi integrar o time da rua em que morava, nas saudosas "peladas" de bairro.
Porém, uma coisa não se poderia negar: o amor desmedido pelo Esporte Clube São José, desde os remotos tempos da Rua Antonio Saes, local hoje ocupado pela Igreja Universal.Tão grande amor tinha um motivo: o orgulho de ter o irmão, Luis Carlos, bicampeão da cidade em 1957/1958, como jogador do São José.
Não muito tempo depois, já torcedor fanático, Eduardo chegaria a chorar quando o clube do coração era derrotado. Eduardo fala com saudade do antigo "estádio" do então Esporte Clube São José, à época conhecido como "Formigão do Vale". Sobre o tal apelido, esclarece que o mesmo deveu-sae ao fato de, no inicio dos anos sessenta, ter havido uma infestação de içás na cidade. Içá, para quem não sabe, é aquela "formiga de asas" muito comum quando no verão.
Discorre com detalhes a estrutura das arquibancadas, feitas de eucaliptos. São José dos Campos, como de resto toda a hinterlandia, vivia o que se poderia chamar de "os tempos românticos" do futebol. A cidade crescia, assim como o clube, e não poderiam - cidade e clube - viver alheios à realidade. Em assim sendo, contruir um novo palco de jogo onde pudesse acolher a massa era fator fundamental.
Em novembro de 1967 o São José faria o seu derradeiro jogo, tendo como adeversário o DERAC, de Itapetininga. Eduardo estava lá! O elenco foi desativado, ganhando ênfase o início das obras do novo estádio, que durou dois anos e alguns meses para ser construido. Objetivando completar o elenco "um peneirão" foi realizado na cidade, em 1969.
Os testes foram realizados no antigo campo do Rodosá, hoje infelizmente desativado. Eduardo não participou dos testes, mas esteve lá para conferir, assim como esteve no primeiro jogo da equipe, em 22 de março de 1970, já no Estádio Martins Pereira. Acerca da inauguração, há que lembrar a figura carismática e querida do padre João Guimaarães, que compareceu ao local para benzer o estádio.
Há vinte anos trabalhando como porteiro na área de condomínios, Eduardo empresta seus conhecimentos "ciceroneando" visitantes que se aventuram a conhecer não somente história do São José, mas a própria história da cidade. História que ajudou a contar aos quatro cantos do mundo, por conta dos doze anos em que atuou como rádio-amador. Figura folclórica e - mais que isso - querida, Eduardo ocupa seu tempo ocioso como voluntário no Museu de Esportes de São José dos Campos. Haja competência!

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